Fiquei surpreendida com este filme por várias razões.
É verdade que Sofia Copolla tem a vantagem do nome e demais família (pai é o Francis Ford Coppola, primo é o Nicolas Cage) mas consegue obter a devida distância e reconhecimento pelo seu trabalho. E sempre de uma forma subtil transmite-nos outros sentimentos e pensamentos (não sei se se lembram mas "As Virgens Suicidas" também tinham a sua realização) de forma muito pessoal.
Outro ponto a salientar é a tradução... Vejamos, o filme passa-se no Japão, o nome do filme original é "Lost in Translation" (Perdido/s na tradução). Tradução portuguesa: "O Amor é um Lugar Estranho".
Penso que a ironia estará implicita, apesar de toda a restante tradução à primeira vista não encerrar qualquer vício. além do mais, sempre prefiro a tradução que a dobragem nos filmes pois perde-se muito da musicalidade da própria língua original. Certos actores têm aulas de dicção para interpretar determinada personagem. Ao dobrarmos perde-se um pouco desse pequeno pormenor (em qualquer língua), excepto os casos em que existe um cuidado técnico nesse aspecto.
Mas como falamos deste filme devo dizer que gostei muito do argumento. Inteligente, cómico, introspectivo e com originalidade.
Quanto ao facto do filme ser uma comédia (e aqui reside o meu espanto) não se trata daquelas comédias em que rimos, rimos e 2 horas mais tarde esquecemos o que estivemos a ver e por vezes o próprio nome do filme. De facto rimos, rimos (gostei especialmente da cena do tapete rolante; Bill Murray no seu melhor) mas no fim ficamos a pensar em todo o conjunto e no facto de nós e os outros a uma dada altura, pretenderem ser encontrados, não a nível físico mas espiritual.
O amor é de facto um lugar estranho mas para Sofia Copolla não o é, pois de forma magistral lembra-nos que não somos os únicos a "gostar de ser gostados".
Em resumo, adorei-o por me fazer rir e pensar. De 0 a 5 dou 4.

